História para o Dia do Índio

A história de hoje é em comemoração ao Dia do Índio e eu a inventei para ser usada junto com a música dos Dez Indiozinhos!

Aliás, fica aqui uma SUPER DICA: procure, sempre que possível, usar música em suas contações de histórias, pois isso vai ajudar seus ouvintes a ficarem mais descontraídos e deixar suas contações mais divertidas! Eu faço isso até quando conto histórias só para adultos e sempre funciona muito bem!

O meu consultor principal para adicionar vários elementos a essa história foi meu marido, que, apesar de ser de Brasília, morou em Manaus durante uma parte da infância e também da adolescência e tem muitas memórias das suas aventuras de lá, de quando nadava no Rio Amazonas e convivia com os índios. Eu também visitei Manaus com ele, atravessei o Rio Amazonas em uma voadeira (pequena canoa com motor), vi o encontro das águas do Rio Negro e do Rio Solimões e lindos botos! E fiquei fascinada pelas belezas daquele lugar! Então, ao criar essa história, eu me inspirei nas experiências do meu marido e também em tudo o que eu vi por lá…

Curiosidade: acontece às vezes de os homens que moram no interior do Amazonas enfrentarem jacarés… o cunhado do meu marido, que é de lá, exibia as cicatrizes que tinha pelo corpo todo, resultado das suas lutas com jacarés… pois é!

Depois de contar essa história, aproveite para trabalhar com as crianças os seguintes elementos: brincadeiras tradicionais, animais típicos, comidas da Amazônia, costumes e expressões utilizados por lá.

Dicas: Você ainda pode adaptar a história, mudar o final dela ou mesmo pedir para as crianças inventarem um final diferente. Fique à vontade para usar sua imaginação e inovar (se você tiver uma sugestão de um final diferente, pode colocar nos comentários – vamos trocar ideias!).

É hora da história…

O indiozinho e o jacaré

Lívia Alencar

Era uma vez um indiozinho muito brincalhão e corajoso que se chamava Cauê.

Como todos os curumins, Cauê adorava brincar com pião, peteca, e também de pique-esconde, pega-pega, e muitas outras brincadeiras… era super divertido se reunir com seus amigos e passar quase o dia todo brincando e explorando a mata!

Aliás, Cauê adorava andar pela mata e ver tantos bichos diferentes: anta, sapo, jabuti, tucano, arara, mico-leão-dourado, onça, cobra… Cauê dizia que não tinha medo de nada e que podia até mesmo enfrentar uma sucuri se um dia desse de frente com uma.

Mas todo mundo tem medo de alguma coisa, não é? Só que às vezes a gente não quer admitir, e com Cauê também era assim… ele não dizia pra ninguém, mas cada vez que ouvia um índio contando que havia enfrentado um jacaré, ele tremia todo por dentro.

Cauê não podia nem se imaginar dando de cara com um jacaré… aquela boca gigantesca cheia de dentes enormes e pontudos… ai, que arrepio!

Certo dia, os amigos de Cauê o chamaram para dar uma volta de canoa no rio e pescar, e era justo um rio onde ele sabia que tinha muito jacaré…

– Vamos lá, maninho, vai ser chibata!

– Sabe, é que eu tenho que ir logo pra casa… a mamãe pediu minha ajuda pra fazer farinha…

– O que foi, mano? Tá com medo?

Cauê não podia deixar seus amigos achando que ele tinha medo de jacaré, pois ele era considerado um dos curumins mais corajosos entre eles, então ele foi.

Subiram todos na canoa – eram dez indiozinhos ao todo. O sol estava forte e o rio estava calmo, sem banzeiro.

Foram remando rio abaixo e todos estavam muito animados – menos Cauê, que olhava apreensivo para um lado e para o outro, atento a qualquer sinal de jacaré.

Então eles pararam no meio do rio para pescar e cada um lançou sua linhada na água. Tudo estava indo bem até que, DE REPENTE…

Cauê foi o primeiro a ver aqueles olhos horripilantes aparecendo por cima da água e se aproximando da canoa!

– Jacaréeeeeeeeeee!!!

Foi o maior alvoroço! Os indiozinhos começaram a remar desesperados em direção à beirada. O desespero foi tão grande que a canoa quase – QUASE – virou!

O jacaré, que estava faminto e doido para almoçar um indiozinho, abriu o seu bocão e nadou rapidamente atrás deles.

“Hum, hoje eu vou encher a minha pança com uns três indiozinhos!”, pensava o jacaré.

E quando ele estava quase alcançando  a canoa… apareceu Ubiratã, o índio mais maceta e temido de toda a tribo, que já havia lutado com muitos jacarés, e que era muito famoso e conhecido entre os jacarés.

Esse jacaré já havia ouvido falar muito de Ubiratã e, quando viu que ele se aproximava para enfrentá-lo, achou que não valia a pena lutar com ele e que era melhor matar sua fome com uns peixes… então ele se virou e foi embora.

Quando viram o jacaré indo embora, os indiozinhos suspiraram aliviados e fizeram a maior festa!

– Ubiratã, ainda bem que você apareceu! Você nos salvou do jacaré!

Cauê era quem estava mais aliviado, claro, e decidiu, daquele dia em diante, tomar muito cuidado e não ir nadar ou pescar onde ele sabia que era perigoso, só porque seus amigos estavam chamando.

Afinal, certos medos são bons e servem para proteger a gente, não é mesmo?

PIM PIM RI RI PIM PIM, ESSA HISTÓRIA CHEGOU AO FIM!

Termos utilizados na história:

CURUMIM = Criança.

MANO / MANINHO / MANA / MANINHA = Expressões de tratamento comuns entre as pessoas no Amazonas.

CHIBATA = Bom demais.

BANZEIRO = Pequena onda no rio.

LINHADA = Linha de pesca.

MACETA = Forte.

Lembre-se de compartilhar a história no facebook e também nos seus grupos do WhatsApp, ok? Assim você vai ajudar a espalhar as minhas histórias para quem está precisando delas!

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74 comentários em “História para o Dia do Índio

  1. Adorei a história ! você me deu dicas para apresentação de auditório na escola onde trabalho como professora do Infantil. Ficou linda a apresentação do musical e história do índio.

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  2. Muito legal essa história!! E a frase de efeito no final, “Afinal, certos medos são bons e servem para proteger a gente, não é mesmo?”, serve pra iniciar outros assuntos pertinentes no momento. Obrigada.

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  3. Lívia, suas histórias são muito criativas, parabéns.
    Ressalto que a contextualização feita por você é excelente, pois nos possibilita conhecer melhor as história local.
    Forte abraço

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